O Pará vai conhecer o melhor do cinema brasileiro produzido por cineastas descendentes de africanos. É o projeto cultural itinerante Circuito Afro-Brasileiro de Cinema, que desembarca em Belém no dia 19 de outubro, seguindo depois para mais seis cidades: Salinópolis, Primavera, São Caetano de Odivelas, Santa Isabel do Pará, São João de Pirabas e Quatipuru.

Promovido pelo Instituto Casa da Vila, o projeto foi viabilizado pelo deputado federal José Priante (MDB-PA), que destinou ao empreendimento, por meio do Ministério da Cultura, emenda no valor de R$ 300 mil. “É uma iniciativa louvável tanto por incentivar o cinema afro-brasileiro quanto por levar cultura, entretimento e lazer às comunidades carentes de atividades e de espaços culturais”, enfatizou Priante.

CINEMA AO AR LIVRE

O projeto consiste na realização de sessões de cinema gratuitas e ao ar livre. As sessões acontecem em espaços públicos abertos, onde são instalados telão de 13mx8m (padrão das telas de cinema), sistema de sonorização profissional, passarelas com tapetes e 500 cadeiras, “mas os moradores também podem levar suas próprias cadeiras”, observa o coordenador do projeto, Kleber Moraes.

Os locais escolhidos para receber o projeto são áreas em comunidades cujos moradores ou não são atendidos por salas de projeção ou, simplesmente, não dispõem de recursos para ir ao cinema. Em Belém, foram selecionados espaços públicos em seis bairros: Barreiro, Icoaraci, Marco, Outeiro, Pedreira e Telégrafo.

“BESOURO” E “Ó PAÍ, Ó”

Os filmes e documentários exibidos no circuito têm como temática questões relacionadas à população negra, como a defesa dos direitos individuais e coletivos, o combate à discriminação racial, o respeito à igualdade e a preservação, promoção e valorização da cultura afro-brasileira.

No circuito paraense serão exibidos dois filmes: “Besouro” e “Ó Paí, Ó”.  “Besouro”, que no dia 30 de outubro completa 10 anos de seu lançamento nos cinemas brasileiros, é dirigido pelo cineasta João Daniel Tikhomiroff e tem como ator principal Ailton Carmo. O filme conta a vida de Besouro Mangangá, capoeirista baiano que defendeu os negros na luta contra a discriminação racial no Brasil da década de 1920. Para os historiadores, Besouro foi uma espécie de herói negro.

Já “Ó Paí, Ó” é dirigido por Monique Gardenberg e estrelado por Lázaro Ramos. Lançado em 2007, o filme conta a história de um grupo de moradores do Pelourinho, centro histórico de Salvador (BA), que entram em conflito com uma evangélica. Embora seja um musical em tom de comédia, o filme aborda temas como o contraste social, o mercado de drogas, o preconceito e o racismo em Salvador, cidade que tem a maior população negra do Brasil. Sucesso nos cinemas, “Ó Paí, Ó” virou série de televisão.

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