cirio12 - Belém já vive o clima do Natal dos paraenses, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré
Círio de Nazaré: o Natal dos paraenses

 

É tempo de fé, esperança, solidariedade, emoção e amor em Belém do Pará. É tempo da maior festa católica do mundo: o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. E é na manhã deste domingo (13) que acontece o momento de maior esplendor da festa: a gigantesca procissão do Círio, quando milhares de romeiros percorrem as ruas da cidade orando, cantando, pedindo graças e agradecendo à padroeira dos paraenses.

Esse espetáculo de devoção e fé se repete a cada outubro. A capital do Pará se transforma. Devotos de Nossa Senhora de Nazaré aportam em Belém vindos de todos os municípios paraenses, de todas as regiões do Brasil, de todos os cantos do mundo.

Desde 1793, quando o Círio foi instituído, é cada vez maior o número de romeiros que participam da festa. Neste 227º Círio, calcula-se que pelo 2 milhões de pessoas estarão participando da procissão pelas ruas de Belém, que atualmente tem 1 milhão 415 mil habitantes.

Os preparativos para a festa começam bem antes. Representantes da Igreja Católica, da Prefeitura de Belém, do Governo do Pará e da sociedade organizada se reúnem diversas vezes ao longo do ano para definir a programação oficial e tomar as providências para que tudo transcorra conforme planejado.

PROCISSÃO E ROMARIAS

Neste ano, a programação oficial começou no dia 7 de outubro e termina no próximo dia 28, no chamado Recírio. Dentro da programação, diversas atividades, como missas, procissões e romarias.

Nesta sexta-feira (11), acontece um dos eventos mais populares da programação: a transladação de Ananindeua, a maior procissão em quilômetros do Círio. A imagem da Virgem de Nazaré, acompanhada por centenas de veículos, é conduzida por 47 quilômetros e durante 10 horas pelas cidades de Belém, Ananindeua e Marituba, na Região Metropolitana.

No sábado (12), mais quatro grandes eventos:

  • Romaria Rodoviária: Começa às 5h30 e termina às 8h30. Sai da Igreja Matriz de Ananindeua e chega ao Trapiche de Icoaraci, distrito de Belém.
  • Romaria Fluvial: Das 9h às 11h, saindo do Trapiche de Icoaraci até a Escadinha do Cais do Porto (Estação das Docas) em Belém.
  • Moto Romaria: Prevista para sair da Escadinha do Cais do Porto às 12h em direção ao Colégio Gentil Bittencourt, onde deve chegar às 13h.
  • Trasladação: Percurso de 3,7 km entre o Colégio Gentil Bittencourt e a Igreja da Sé. Saindo às 17h30, com previsão de chegada para às 23h.

No domingo, dia Círio, a procissão sai às 7 horas da Igreja da Sé, no centro histórico de Belém, em direção à Basílica Santuário, no bairro de Nazaré. A procissão percorre 3,6 km e tem duração de pelo menos seis horas.

NATAL DOS PARAENSES

O Círio é o Natal dos paraenses. As ruas, as lojas, os bancos, os shoppings, os prédios públicos, carros e até pequenas embarcações são decorados para a festa com motivos que traduzem a paixão dos paraenses pela Virgem de Nazaré.

Nas bancas dos camelôs, o que não faltam são camisetas, lenços e artigos baratos com motivos sobre o Círio. No comércio formal, a propaganda das lojas também usa o tema Círio para atrair clientes, estimular o consumo e vender mais.

Na grande maioria dos lares, desde um humilde casebre até o mais imponente apartamento de Belém, não falta a imagem de Nossa Senhora. Imagem que recebe mais mimos na época do Círio, quando ganha novos ornamentos, como mais luzes coloridas, flores e velas perfumadas.

Assim como no Natal, quem mora em Belém hospeda em casa parentes e amigos vindos de outras cidades ou que vivem fora do Pará ou até mesmo fora do Brasil. Mas, ao contrário do Natal, no Círio não é tradição trocar presentes. No Círio a tradição manda orar e comer juntos.

Após a procissão, os romeiros retornam aos seus lares sabendo que lá encontrarão o carinho dos familiares para alegrar a alma e muita comida para recuperar as energias. Na maioria dos lares não faltam o tradicional pato no tucupi, a exótica maniçoba e o cobiçado vatapá, os três pratos mais consagrados da diversificada gastronomia paraense.

GANHOS ECONÔMICOS

O Círio de Nazaré é mais do que uma festa religiosa. “É também um evento multicultural e turístico, que, ao fomentar atividades paralelas, dinamiza a indústria da cultura e do turismo, com reflexos positivos para a economia de Belém e do Pará”, explica o deputado federal José Priante (MDB-PA), devoto de Nossa Senhora de Nazaré.

“Assim como uma moeda, o Círio, por natureza, também tem duas faces: uma é o lado é espiritual e a outra, o lado material”, compara Priante. “Se a primeira alimenta nossa espiritualidade, renovando nossa fé, a outra estimula a parte material, ou seja, estimula a economia. E isso é bom tanto para a alma quanto para o bolso. Por tudo isso, o Círio faz bem para todos”.

Não se sabe exatamente qual o impacto do Círio na economia de Belém e do Pará. Mas, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Pará, no Círio do ano passado, Belém recebeu 70 mil turistas, dos quais, quatro mil estrangeiros. Juntos, eles teriam investidos R$ 600 milhões na economia paraense.

 

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